Cotas raciais. Alteração nas Resoluções CNJ nº 75/2009 e 203/2015 elimina nota de corte ou qualquer cláusula de barreira para negros e institui Comissão de Heteroidentificação nos concursos públicos do Poder Judiciário
ClasseAto NormativoProcesso0002241-05.2022.2.00.0000RelatorVieira de Mello FilhoÓrgão julgadorPlenárioInformativon. 32/2022 — 26/04/2022
Tese prática
Alteração nas Resoluções CNJ nº 75/2009 e 203/2015 sobre cotas raciais e comissões de heteroidentificação em concursos públicos do Poder Judiciário. Não impacta a rotina das serventias extrajudiciais.
Decisão sobre política de recrutamento e concursos do Poder Judiciário. Não regula delegação, deveres, direitos ou limites de delegatários de serventias extrajudiciais. Não trata de vacância, emolumentos, fiscalização de cartórios ou regulamentação de sistemas extrajudiciais (SREI, SERP, etc.). É matéria de gestão administrativa interna do CNJ sem reflexo operacional direto nas atividades-fim de notários e registradores.
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Cotas raciais. Alteração nas Resoluções CNJ nº 75/2009 e 203/2015 elimina nota de corte
ou qualquer cláusula de barreira para negros e institui Comissão de Heteroidentificação
nos concursos públicos do Poder Judiciário
O Plenário do Conselho, por unanimidade, aprovou alterações na Resolução CNJ nº 75/2009
e na Resolução CNJ nº 203/2015 para vedar o estabelecimento de nota de corte ou qualquer
cláusula de barreira para candidatos negros na prova objetiva dos concursos públicos de cargos
efetivos nos órgãos do Poder Judiciário e de ingresso na magistratura. Basta o alcance da nota 6
para que o candidato seja admitido às fases subsequentes.
A Resolução CNJ nº 203/2015 dispõe sobre a reserva aos negros, no âmbito do Poder
Judiciário, de 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos para provimento de cargos efetivos
e de ingresso na magistratura.
O art. 5º da Resolução CNJ nº 203/2015 passa a vigorar com o acréscimo dos parágrafos
4º e 5º. Com isso, os tribunais instituirão, obrigatoriamente, comissões de heteroidentificação,
formadas necessariamente por especialistas em questões raciais e direito da antidiscriminação.
O objetivo é evitar fraude na autodeclaração, uma vez que pessoas brancas vêm se
inscrevendo como negras.
Essas comissões irão confirmar a condição de negros dos candidatos que assim se
identificarem e deverão funcionar no ato da inscrição preliminar ou da inscrição definitiva, de acordo
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com os critérios de conveniência e oportunidade de cada tribunal.
A Resolução CNJ nº 75/2009 dispõe sobre os concursos públicos para ingresso na carreira
da magistratura.
Nesta Resolução, a alteração é quanto à classificação para a segunda etapa nos concursos
da magistratura. O inciso I do art. 44 da Resolução prevê a classificação dos 200 candidatos que
obtiverem as maiores notas após o julgamento dos recursos, nos concursos de até 1.500 inscritos.
Já nos concursos com mais de 1.500 inscritos, classificam-se os 300 candidatos que obtiverem as
maiores notas, conforme o inciso II.
Com o novo Ato Normativo, o redutor previsto nos incisos I e II do art. 44 não se aplica aos
candidatos que concorram às vagas destinadas às pessoas com deficiência e às pessoas negras,
as quais serão convocadas para a segunda etapa do certame em lista específica, desde que
tenham obtido a nota mínima exigida para todos os outros candidatos, sem prejuízo dos demais
200 ou 300 classificados, conforme o caso.
O Conselheiro Vieira de Mello Filho, Relator dos autos, pontuou que a exigência da cláusula
de barreira entre os cotistas vem afastando pessoas pretas e pardas da oportunidade de se
manterem nos concursos de magistratura, pois os candidatos que reúnem condições de alcançar
notas elevadas, correspondentes às notas de corte, normalmente, não se encontram nas faixas
econômico-sociais ocupadas por pessoas negras.
Nesse sentido, Pesquisa sobre Negros e Negras no Poder Judiciário, realizada e divulgada
em 2021 pelo CNJ, demonstra desequilíbrio entre negros e brancos na magistratura brasileira. Por
isso, a estratégia de estabelecimento do sistema de cotas raciais nos concursos públicos de
ingresso na magistratura precisa ser aperfeiçoada, defendeu o Relator.
Após a publicação, o novo Ato Normativo vigorará até 9 de junho de 2024, término do prazo
de vigência da Lei nº 12.990/2014. A nova Resolução não se aplicará aos concursos cujos editais
de abertura tiverem sido publicados antes de sua entrada em vigor.